Cibersegurança 2026: As Ameaças Mais Quentes para o Mercado Brasileiro
Cibersegurança 2026: As Ameaças Mais Quentes para o Mercado Brasileiro
Meta descrição: Analisamos as vulnerabilidades críticas SAP e Fortra GoAnywhere, ciberataques impulsionados por infostealers e o impacto no Brasil em 2026. Proteja sua empresa!
Em um cenário digital em constante ebulição, a cibersegurança nunca foi tão crucial. À medida que avançamos em 2026, as manchetes globais ecoam uma verdade inconveniente: os adversários cibernéticos estão mais ágeis, adaptáveis e ousados do que nunca. Para CISOs, gestores de TI e analistas de segurança no Brasil, a paisagem de ameaças não é apenas um problema técnico, mas um desafio estratégico que exige atenção imediata e proativa. Recentemente, incidentes de grande escala envolvendo vazamento de dados por infostealers e vulnerabilidades críticas em softwares corporativos ressaltam a fragilidade das defesas perimetrais tradicionais.
A complexidade das cadeias de suprimentos de software, a persistência do ransomware como serviço (RaaS) e a ascensão de ataques baseados em identidade (phishing, roubo de credenciais) continuam a moldar um ambiente onde a conformidade regulatória, como a LGPD, é mais do que uma obrigação – é um pilar para a resiliência. Este artigo da Coneds, sua referência em educação em cibersegurança no Brasil, mergulha nas ameaças mais urgentes, com foco em vulnerabilidades verificadas e seu impacto potencial no contexto nacional, oferecendo insights práticos para fortalecer sua postura de segurança contra os desafios que já estão batendo à porta.
⚡ Resumo Executivo
- Vulnerabilidades Críticas: Falhas de alta gravidade em plataformas como SAP e Fortra GoAnywhere (CVE-2025-42957, CVE-2025-10035) estão sendo ativamente exploradas.
- Ataques Baseados em Identidade: Roubo de credenciais via infostealers e phishing sofisticado continuam a ser o vetor inicial mais comum para grandes violações de dados.
- Riscos na Cadeia de Suprimentos: A dependência de terceiros é um ponto fraco explorado por cibercriminosos, com impacto cascata em múltiplas organizações.
- Ransomware Persistente: O modelo de Ransomware-as-a-Service (RaaS) continua a evoluir, visando setores críticos e intensificando táticas de extorsão.
- Conformidade Regulamentar: A pressão da LGPD exige que empresas brasileiras reforcem suas defesas e planos de resposta a incidentes.
Vulnerabilidade Crítica em Plataformas SAP: Uma Porta Aberta para o Caos (CVE-2025-42957)
Em um dos desenvolvimentos mais alarmantes do final de 2025, foi revelada uma vulnerabilidade de injeção de código de severidade crítica (CVSS 9.9) em instalações do SAP S/4HANA, designada como CVE-2025-42957. Essa falha, que permite a usuários autenticados com privilégios baixos injetar código arbitrário por meio de um módulo de função exposto a RFC, representa um risco existencial para as organizações que dependem do ecossistema SAP. A exploração bem-sucedida pode levar a um comprometimento total do sistema, possibilitando a exfiltração de dados sensíveis, a manipulação de informações financeiras e a interrupção completa das operações de negócios.
O SAP S/4HANA é o coração de muitas das maiores corporações globais e nacionais, gerenciando desde processos de cadeia de suprimentos até finanças e recursos humanos. A capacidade de um atacante de ganhar Remote Code Execution (RCE) em um sistema tão central, mesmo com privilégios inicialmente baixos, é um pesadelo para qualquer CISO. Isso significa que, se um atacante conseguir comprometer uma conta de usuário padrão – talvez por meio de um ataque de phishing ou credenciais roubadas – ele pode, teoricamente, escalar privilégios e obter controle irrestrito sobre dados e funções cruciais.
A ativa exploração dessa vulnerabilidade, confirmada desde setembro de 2025, coloca uma pressão imensa sobre as equipes de segurança. Muitas empresas operam com ciclos de patch e atualização que podem ser lentos, especialmente para sistemas complexos como ERPs. A janela entre a divulgação e a aplicação do patch se torna uma corrida contra o tempo, com adversários cibernéticos capitalizando rapidamente sobre as falhas conhecidas. A natureza das transações que passam por um sistema SAP – desde informações de clientes e fornecedores até segredos comerciais e propriedade intelectual – torna qualquer comprometimento uma potencial catástrofe de dados e reputação.
Além disso, a exploração de CVE-2025-42957 não se limita apenas à exfiltração de dados. Um atacante com RCE pode implantar backdoors persistentes, estabelecer pontos de pivô para ataques laterais em outras partes da rede ou até mesmo introduzir ransomware, paralisando operações críticas. A sofisticação desses ataques está em sua capacidade de mimetizar atividades legítimas dentro do sistema, tornando a detecção um desafio para soluções de segurança baseadas em assinaturas ou comportamento anômalo. A ênfase na autenticação e autorização robustas, juntamente com a segmentação de rede, é fundamental para mitigar o raio de impacto de uma falha como essa.
Falhas na Cadeia de Suprimentos: O Caso Fortra GoAnywhere MFT (CVE-2025-10035)
A segurança da cadeia de suprimentos continua sendo um calcanhar de Aquiles para muitas organizações, e a exploração da vulnerabilidade CVE-2025-10035 no Fortra GoAnywhere MFT é um lembrete contundente. Essa falha crítica de autenticação bypass para execução remota de código (RCE) em um componente do License Servlet do Fortra GoAnywhere MFT, confirmada desde setembro de 2025, expõe a um risco significativo empresas que utilizam essa solução para transferências seguras de arquivos. O GoAnywhere MFT, como muitas plataformas de Managed File Transfer (MFT), é um ponto central para a troca de dados sensíveis entre empresas e seus parceiros, clientes e sistemas internos.
Ataques à cadeia de suprimentos, como este, são particularmente insidiosos porque um comprometimento em um elo aparentemente menos crítico pode abrir caminho para o acesso a dados e sistemas de múltiplas organizações a jusante. A falha permite que atacantes não autenticados ignorem os controles de segurança e executem comandos arbitrários, o que pode levar à exfiltração de grandes volumes de dados, interrupção de operações ou implantação de malware adicional, incluindo ransomware.
O cenário é agravado pela ubiquidade de sistemas MFT em setores que dependem fortemente de trocas de dados controladas, como o financeiro, saúde e governamental. Uma única falha pode expor informações de centenas, ou mesmo milhares, de clientes e parceiros de negócios. Em 2023, vimos o grupo CL0P explorar vulnerabilidades semelhantes em outras plataformas MFT (como o MOVEit), impactando milhões de indivíduos e milhares de empresas globalmente, arrecadando milhões em pagamentos de resgate. A CVE-2025-10035 segue um padrão preocupante, demonstrando a busca contínua dos atacantes por pontos de estrangulamento na infraestrutura digital para maximizar seu impacto.
A exploração ativa dessa vulnerabilidade exige uma resposta rápida. Organizações que utilizam o Fortra GoAnywhere MFT devem priorizar a aplicação dos patches mais recentes (versões 7.8.4 ou 7.6.3) e monitorar proativamente os logs de auditoria para detectar qualquer anomalia. Além disso, o incidente serve como um alerta para a necessidade de uma gestão de riscos de terceiros mais rigorosa, garantindo que os fornecedores de software e serviços implementem e mantenham práticas de segurança robustas. A confiança na segurança de um elo fraco pode custar caro a toda a cadeia.
🇧🇷 Impacto no Cenário Brasileiro
O Brasil, com sua economia digital em expansão e um cenário regulatório em amadurecimento, é um alvo cada vez mais atraente para cibercriminosos. As vulnerabilidades e tendências discutidas acima ressoam de forma particularmente urgente para empresas nacionais.
Vulnerabilidades em ERPs e Sistemas Corporativos: Empresas brasileiras de grande e médio porte dependem fortemente de sistemas de planejamento de recursos empresariais (ERPs) como SAP para suas operações diárias. Bancos, indústrias, varejistas e até mesmo órgãos governamentais utilizam essas plataformas. A exploração de uma vulnerabilidade como a CVE-2025-42957 em SAP S/4HANA poderia ter um impacto devastador, comprometendo dados financeiros sensíveis, informações de clientes (incluindo PII – Personally Identifiable Information) e a própria continuidade dos negócios. A paralisação de um sistema SAP pode significar a interrupção da produção, faturamento e até mesmo a folha de pagamento, com consequências financeiras e reputacionais gravíssimas.
Riscos na Cadeia de Suprimentos e LGPD: A exploração de plataformas como Fortra GoAnywhere MFT (via CVE-2025-10035) ou ataques a provedores de serviços de TI e nuvem, como os vistos com infostealers, representam uma ameaça direta à conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A LGPD exige que as empresas não apenas protejam os dados sob seu controle direto, mas também garantam que seus parceiros e fornecedores ("operadores" e "controladores conjuntos") mantenham níveis adequados de segurança. Um vazamento de dados decorrente de uma falha em um terceiro pode resultar em multas pesadas (até 2% do faturamento, limitado a R$ 50 milhões por infração), processos judiciais e danos irreparáveis à imagem da marca. Setores como o financeiro (sob regulamentação do BACEN) e a saúde, que lidam com dados altamente sensíveis, são especialmente vulneráveis a esses riscos de terceiros.
Ataques Baseados em Identidade e Ransomware: O aumento dos ataques por infostealers, como os observados em janeiro de 2026, que roubam credenciais e dados críticos de dezenas de empresas globais, é uma preocupação real para o Brasil. A cultura do phishing é difundida, e a sofisticação das campanhas, muitas vezes auxiliadas por IA generativa, torna a detecção mais difícil para os usuários. Com a proliferação de credenciais comprometidas no mercado negro digital, ataques de "credential stuffing" e "account takeover" se tornam mais viáveis. O ransomware continua sendo a principal ameaça de crime cibernético, e grupos de RaaS estão cada vez mais direcionados a "caça de grandes prêmios" ("big game hunting"), visando infraestruturas críticas e grandes corporações no Brasil, que estariam mais dispostas a pagar resgates elevados para evitar interrupções de serviço. A interdependência de sistemas e a digitalização acelerada expõem mais pontos de entrada para esses ataques.
O contexto regulatório brasileiro, com a LGPD e as normas do BACEN, impulsiona a necessidade de maior governança e proteção de dados. No entanto, a fiscalização e a conscientização sobre os riscos da cadeia de suprimentos e da segurança da identidade ainda precisam ser aprimoradas para acompanhar a sofisticação das ameaças.
🔒 Recomendações Práticas da Coneds
Diante do cenário de ameaças em constante evolução, a Coneds reforça a importância de uma postura de segurança proativa e em camadas.
- Ação Imediata: Patch Management e Gerenciamento de Vulnerabilidades: Mantenha todos os sistemas, softwares e dispositivos (especialmente ERPs como SAP e plataformas MFT como Fortra GoAnywhere) atualizados com os últimos patches de segurança. Priorize a aplicação de patches para vulnerabilidades críticas e ativamente exploradas (como
CVE-2025-42957eCVE-2025-10035). Realize varreduras de vulnerabilidades contínuas e testes de penetração regularmente. - Curto Prazo (1-4 semanas): Fortalecimento da Gestão de Acesso e Identidade: Implemente e reforce a Autenticação Multifator (MFA) em todos os níveis, especialmente para contas privilegiadas, acessos VPN e sistemas críticos. Revise e adote soluções de Gerenciamento de Acesso Privilegiado (PAM) e implemente princípios de Zero Trust, garantindo que cada solicitação de acesso seja verificada independentemente da origem.
- Médio Prazo (1-3 meses): Avaliação e Mitigação de Riscos de Terceiros: Conduza auditorias e avaliações de segurança rigorosas em toda a sua cadeia de suprimentos e fornecedores de software/serviços. Garanta que seus contratos com terceiros incluam cláusulas claras de segurança e responsabilidade pela proteção de dados. Implemente ferramentas de monitoramento de risco de terceiros para visibilidade contínua.
- Estratégia Long-term: Resiliência contra Ransomware e Resposta a Incidentes: Desenvolva e teste regularmente um Plano de Resposta a Incidentes (IRP) robusto, com cenários específicos para ataques de ransomware e vazamento de dados. Mantenha backups de dados críticos isolados, imutáveis e testados regularmente. Invista em soluções avançadas de detecção e resposta (EDR/XDR) e segmentação de rede para limitar o movimento lateral de atacantes.
- Governança: Conformidade e Segurança Data-Centric: Adapte suas políticas e controles de segurança para ir além da conformidade básica com a LGPD, PCI DSS e regulamentações do BACEN. Foque em uma abordagem data-centric, classificando e protegendo os dados mais sensíveis onde quer que residam. Realize avaliações de impacto à proteção de dados (DPIAs) para novos projetos e sistemas.
- Treinamento: Conscientização Contínua e Simulações: Invista em programas de conscientização e treinamento em segurança cibernética contínuos e envolventes para todos os colaboradores. Inclua simulações de phishing e engenharia social (inclusive deepfakes) para preparar a equipe contra táticas avançadas de roubo de credenciais e infostealers.
❓ Perguntas Frequentes
P: Qual o impacto direto das vulnerabilidades SAP e Fortra GoAnywhere para minha empresa no Brasil?
R: Se sua empresa utiliza SAP S/4HANA ou Fortra GoAnywhere MFT, você está sob risco imediato de comprometimento de dados e interrupção operacional devido às vulnerabilidades CVE-2025-42957 e CVE-2025-10035 que estão sendo ativamente exploradas. Isso pode resultar em vazamento de PII, dados financeiros e propriedade intelectual, além de multas sob a LGPD.
P: Como posso proteger minha empresa contra ataques de roubo de credenciais e infostealers?
R: A proteção envolve múltiplas camadas: implemente MFA em todos os sistemas, utilize um gerenciador de senhas robusto, eduque seus funcionários sobre phishing e engenharia social, e utilize soluções de segurança de endpoint que detectem e bloqueiem infostealers. Monitore também a dark web para credenciais vazadas.
P: A LGPD cobre incidentes causados por falhas de terceiros na cadeia de suprimentos?
R: Sim, a LGPD estabelece que o controlador (sua empresa) é responsável por garantir que seus operadores (terceiros que processam dados em seu nome) sigam as diretrizes da lei. Uma falha de segurança em um fornecedor que leve a um vazamento de dados pode, e provavelmente irá, gerar responsabilidade para sua empresa perante a ANPD e os titulares dos dados.
P: A Coneds oferece treinamentos específicos para lidar com as ameaças destacadas neste artigo?
R: Absolutamente. A Coneds possui um portfólio de treinamentos atualizados que cobrem desde gestão de vulnerabilidades e segurança de aplicações (focando em falhas como as de SAP e MFT), até estratégias avançadas de defesa contra ransomware, gestão de identidade e acesso, e conformidade com a LGPD. Nossos cursos são desenhados para capacitar profissionais de TI e lideranças a construir defesas robustas e planos de resposta eficazes.
Conclusão
O ano de 2026 nos lembra que a cibersegurança não é um destino, mas uma jornada contínua de adaptação e aprimoramento. As vulnerabilidades críticas em softwares amplamente utilizados, a crescente sofisticação dos ataques baseados em identidade e a complexidade das cadeias de suprimentos de software global são desafios que exigem uma abordagem multifacetada e integrada. Não podemos nos dar ao luxo de sermos reativos; a proatividade e a resiliência são os pilares sobre os quais as organizações brasileiras devem construir suas defesas. A proteção dos dados e a continuidade dos negócios dependem da nossa capacidade de antecipar as ameaças, fortalecer nossas defesas e, crucialmente, capacitar nossas equipes.
A Coneds está comprometida em ser sua parceira nesta jornada, fornecendo o conhecimento e as ferramentas necessárias para navegar com segurança neste ambiente complexo. Invista na educação da sua equipe, revise suas estratégias e transforme os desafios de cibersegurança de hoje nas fortalezas do amanhã. O momento de agir é agora.
📚 Aprenda mais: Confira nossos treinamentos avançados em Segurança de Aplicações e Gestão de Riscos de Terceiros em coneds.com.br 🔗 Fontes:
- PKWARE - "Data Breaches 2025: Biggest Cybersecurity Incidents So Far" (Publicado: 02 de Janeiro de 2026) - https://www.pkware.com/blog/recent-data-breaches
- Cybercrime Magazine - "Who's Hacked? Latest Data Breaches And Cyberattacks" (Atualizado: 09 de Janeiro de 2026) - https://cybersecurityventures.com/intrusion-daily-cyber-threat-alert/
- CM-Alliance - "Sept 2025: Biggest Cyber Attacks, Ransomware Attacks and Data Breaches" (Publicado: 01 de Outubro de 2025) - https://www.cm-alliance.com/cybersecurity-blog/sept-2025-biggest-cyber-attacks-ransomware-attacks-and-data-breaches
- SCWorld - "Critical infrastructure facing cyber surge in OT and supply chains in 2026" (Publicado: Dezembro de 2025) - https://www.scworld.com/feature/critical-infrastructure-facing-cyber-surge-in-ot-and-supply-chains-in-2026
- SCWorld - "Identity: The new battleground in our emerging AI world" (Publicado: Dezembro de 2025) - https://www.scworld.com/perspective/identity-the-new-battleground-in-our-emerging-ai-world
- F12.net - "What Recent Canadian Cyber Attacks Reveal About Our National Security" (Publicado: 07 de Abril de 2025) - https://f12.net/blog/what-recent-canadian-cyber-attacks-reveal-about-our-national-security/
- Cyber.gc.ca - "National Cyber Threat Assessment 2025-2026" (Publicado: 30 de Outubro de 2024, válido até 2026) - https://www.cyber.gc.ca/en/guidance/national-cyber-threat-assessment-2025-2026

